top of page

Reforma tributária em condomínios: como se preparar para as mudanças

  • 13 de jan.
  • 7 min de leitura

Atualizado: 23 de jan.

A gestão de condomínios no Brasil está prestes a enfrentar sua maior transformação das últimas décadas. A Reforma Tributária, aprovada para modernizar o sistema de impostos do país, traz mudanças que vão muito além dos livros contábeis das grandes empresas. Ela atinge diretamente o boleto da taxa condominial de milhões de brasileiros.


Embora o condomínio, por natureza jurídica, não seja uma entidade com fins lucrativos, ele é um dos maiores consumidores de serviços do país. É exatamente nesse ponto que a reforma "morde" o orçamento: na cadeia de prestação de serviços. Para o síndico, o desafio é duplo: gerir o aumento dos custos e comunicar essa nova realidade a moradores cada vez mais exigentes.


Neste guia completo, vamos explorar cada detalhe da reforma tributária, desde a criação do IVA Dual até as estratégias de sobrevivência para uma gestão eficiente e transparente.


1. Contexto atual: por que mudar agora?

O sistema que vigora (e que começa a ser extinto) foi criado na década de 60. Para o síndico, isso significava lidar com o PIS e a COFINS (federais) e o ISS (municipal). O problema é que o ISS varia de 2% a 5% dependendo da cidade, e o PIS/COFINS possui regimes cumulativos e não-cumulativos que tornavam a nota fiscal de uma empresa de vigilância uma verdadeira sopa de letras.


A Reforma vem para unificar tudo no IVA Dual (Imposto sobre Valor Agregado). No nosso Reels, mencionamos que o sistema já está em fase de testes. Isso é fundamental: 2026 é o ano do "espelhamento". As notas fiscais que chegam ao condomínio hoje já trazem o destaque do IBS e da CBS, mesmo que o valor financeiro ainda não esteja sendo integralmente cobrado nos moldes novos.


2. Contexto atual: por que mudar agora?

Decifrando as novas siglas: IBS, CBS e o IVA Dual Para conversar com a assembleia e com os fornecedores, o síndico precisa dominar os três pilares da reforma:


CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços)

Este é o tributo de competência da União (Federal). Ele substitui o PIS e a COFINS. A alíquota padrão da CBS é desenhada para ser uniforme em todo o país, eliminando as distorções de regimes especiais que certas empresas de serviços usavam para reduzir custos.


IBS (Imposto sobre Bens e Serviços)

Este substitui o ICMS (estadual) e o ISS (municipal). Aqui reside a maior mudança para os condomínios: o fim da guerra fiscal entre municípios. O IBS será gerido por um Comitê Gestor unificado.


Por que o condomínio sofre mais?

O princípio do IVA é a não-cumulatividade. Uma fábrica compra aço (paga imposto), transforma em carro e vende (gera crédito do imposto pago no aço). O condomínio é o fim da linha. Ele compra o serviço de portaria, paga o IVA (IBS + CBS) embutido, mas não tem para quem "vender" esse crédito. Para o condomínio, o imposto é custo puro.


Dois homens em reunião estratégica sobre uma mesa de escritório com documentos e relatórios.
A revisão técnica de contratos é vital para adaptar o orçamento ao novo IVA Dual.

3. Impacto setorial: onde o calo vai apertar?

Não são todos os custos que subirão na mesma proporção. É preciso que o síndico saiba identificar quais contratos devem ser renegociados e quais terão reajustes automáticos por força da lei.


Portaria, vigilância e limpeza (mão de obra intensiva)

Este é o setor mais sensível. Empresas de facilities possuem poucos insumos (elas não compram muita matéria-prima para gerar crédito). O maior custo delas é a folha de pagamento. Com a nova alíquota do IBS/CBS sendo maior que o antigo ISS, essas empresas terão um aumento real de carga tributária e, por consequência, repassarão isso para as planilhas de custos dos condomínios.


Manutenção de elevadores e sistemas técnicos

Contratos de manutenção de elevadores, bombas de recalque e sistemas de incêndio geralmente possuem uma parte de serviço e uma parte de peças. A unificação tributária simplifica a nota fiscal, mas a alíquota padrão tende a ser superior à média que os condomínios pagavam anteriormente.


O caso das receitas acessórias

Muitos condomínios sobrevivem ou reduzem a taxa ordinária através de receitas como:


  • Aluguel de topo para antenas de celular.

  • Locação de salões de festas para eventos externos.

  • Publicidade em elevadores ou fachadas.


Essas receitas, que antes podiam ser tributadas de forma simplificada, agora estarão sob a égide da nova carga tributária. O síndico verá o valor bruto ser mantido, mas o valor líquido (que efetivamente entra na conta do condomínio) será reduzido pela maior retenção de impostos.


4. O Impacto no bolso: as estimativas reais

Especialistas e associações do setor (como o SECOVI) estimam que o impacto médio nas despesas correntes de um condomínio pode variar de 2% a 6%.

Parece pouco? Vamos fazer uma conta rápida para um condomínio de médio porte:


  • Previsão orçamentária mensal: R$ 100.000,00.

  • Aumento de 5% devido à reforma: R$ 5.000,00 extras por mês.

  • Impacto anual: R$ 60.000,00.


Esse valor poderia ser usado para uma pintura, troca de iluminação LED ou modernização do sistema de segurança. Com a reforma, esse recurso será drenado para o pagamento de impostos indiretos.


5. Estratégias de sobrevivência para o síndico

Aa transição é gradual para não causar um choque inflacionário imediato, mas o síndico precisa ter este calendário na ponta da língua:


  • 2026: ano de aprendizado. A alíquota é de apenas 0,1% para o IBS e 0,9% para a CBS. O objetivo é testar o sistema e gerar base de dados. O impacto financeiro é quase nulo, mas o impacto operacional (mudança nos softwares de gestão) é total.


  • 2027: A virada federal. O PIS e a COFINS são extintos. A CBS passa a ser cobrada em sua alíquota plena (estimada em torno de 8,8% a 9%). Aqui, contratos de prestação de serviços já sofrerão o primeiro reajuste real.


  • 2029 a 2032: Transição dos Estados e Municípios. O ISS e o ICMS começam a cair 20% ao ano, enquanto o IBS sobe proporcionalmente.


  • 2033: Nova era. O sistema antigo é totalmente desligado. Teremos apenas o IVA Dual funcionando.


6. O tal do Split Payment

Este é o mecanismo tecnológico mais audacioso da reforma.


Como funciona:

Atualmente, o condomínio paga R$ 10.000,00 para a empresa de limpeza, e ela é responsável por apurar e pagar seus impostos no mês seguinte. Com o Split Payment, no momento em que o condomínio faz o PIX ou paga o boleto, o sistema bancário identifica o que é imposto.


  • R$ 7.350,00 vão para a conta da empresa.

  • R$ 2.650,00 vão direto para a conta do Fisco.


O desafio para o síndico:

A conciliação bancária ficará muito mais complexa. O extrato não baterá mais com o valor bruto da nota de forma direta sem um suporte tecnológico. Se o condomínio não tiver um software como o BRCondomínio, que já está preparado para ler essas camadas de pagamento, a prestação de contas aos moradores será um caos de centavos e retenções.


7. Estratégias de Sobrevivência para uma Gestão Eficiente

Não há como "vencer" a lei, mas há como ser inteligente na adaptação.


1. Auditoria de contratos imediata

Não espere 2027. Reúna seus principais fornecedores hoje. Peça que eles apresentem uma simulação de como a planilha de custos deles ficará na fase plena da reforma. Isso permite que o condomínio crie uma Provisão de Transição Tributária.


2. Aposta em Profissionais Liberais e Simples Nacional

Empresas no Simples Nacional têm um tratamento diferenciado na reforma. Elas podem optar por continuar pagando o tributo unificado ou recolher o IBS/CBS por fora para gerar créditos. Para o condomínio, contratar prestadores menores que permaneçam no Simples pode ser uma forma de manter custos mais baixos, já que a carga tributária deles tende a não subir tanto quanto a das gigantes do setor.


3. Profissões Intelectuais e a Alíquota Reduzida

A lei prevê redução de 30% ou até 60% nas alíquotas para certos serviços (saúde, educação, advogados, engenheiros). Ao contratar uma inspeção predial ou um parecer jurídico, verifique se o prestador está enquadrado no regime de alíquota reduzida. Isso pode economizar milhares de reais em obras de grande porte.


4. Investimento em Automação

Se o serviço humano ficou mais caro pela carga tributária, a tecnologia tornou-se, comparativamente, mais barata.


  • Portaria Remota: Reduz a exposição ao IBS/CBS sobre a folha de pagamento de terceirizados.

  • Sensores de Presença e IoT: Reduzem a necessidade de manutenção constante e gastos com energia.


Uma mulher e um homem com crachá e prancheta conversam no hall de entrada de um condomínio.
Síndicos devem priorizar a comunicação clara com moradores sobre os custos da reforma.

8. O papel do administrador e do software de gestão

Com a chegada do split payment e a complexidade do IBS/CBS, o síndico que trabalha sozinho ou com ferramentas obsoletas está em perigo. A contabilidade condominial se tornará muito mais técnica.


O uso de um software especializado é a única forma de garantir que:


  • As notas fiscais sejam processadas corretamente.

  • O fluxo de caixa considere os valores líquidos e brutos.

  • A prestação de contas seja legível para o conselho e moradores.


9. A comunicação com a assembleia

O síndico que não explicar a reforma tributária aos moradores será o "culpado" pelo aumento da taxa condominial na visão dos leigos.


Dicas para a próxima Assembleia:

  1. Use Gráficos: Mostre a fatia que os impostos ocupam hoje e como ficarão no futuro.


  2. Seja Transparente: Explique que o condomínio é consumidor final e não recupera créditos.


  3. Antecipe-se: Não espere o caixa esvaziar para propor o reajuste. Comece a falar sobre a reforma agora, enquanto ela ainda está em fase de regulamentação.


  4. Apresente soluções: Não leve apenas o problema. Diga: "O imposto subiu, mas estamos revisando o contrato X, migrando para a tecnologia Y, para garantir que não paguemos nem um centavo a mais do que o devido."


10. A importância de um software preparado

Muitos softwares de gestão condominial são apenas "calculadoras de boleto". Com a Reforma Tributária, eles precisarão ser sistemas de inteligência fiscal, e o BRCondomínio se preparou anos para este momento. Veja o que uma plataforma de ponta faz por você nesta transição:


  1. Leitura Automática de Notas com IVA: O sistema identifica o IBS/CBS destacado e já prepara a conciliação para o Split Payment.


  2. Relatórios de Impacto: Ferramentas que comparam o que você pagava no regime antigo vs. o novo, facilitando a transparência na assembleia.


  3. Segurança Jurídica: Garante que as retenções na fonte (que continuam existindo em certos casos) sejam feitas corretamente, evitando multas pesadas da Receita Federal.


  4. Histórico de Transição: Como a mudança leva anos, o software guarda o histórico de alíquotas de cada período (2026, 2027, etc.), essencial para auditorias futuras.



O futuro é agora

A Reforma Tributária em condomínios é o fim da era do "síndico amador". A complexidade que o IBS, a CBS e o Split Payment trazem exige uma gestão profissional, técnica e, acima de tudo, tecnológica. O impacto médio de 2% a 6% nas despesas totais, que citamos anteriormente, pode parecer administrável, mas para um condomínio que já opera no limite, ele é a diferença entre investir em melhorias ou acumular dívidas.


O síndico que se informa hoje é o gestor que evita conflitos amanhã. O segredo para navegar nessas águas turbulentas é a combinação de conhecimento jurídico, planejamento financeiro e tecnologia de ponta. Não deixe para entender a reforma quando o boleto dos fornecedores subir. Comece a organizar sua casa hoje mesmo.


Deseja preparar seu condomínio para essa nova era?

O BRCondomínio oferece as ferramentas necessárias para uma transição tranquila, com relatórios de performance e suporte especializado.



















BRC2-logo-completo-branco.png

As melhores soluções para todos os gestores.

Nossas redes

  • Instagram
  • Facebook
  • X
  • LinkedIn
  • Youtube

© 2023 por BRCondomínio  |  Banco de Talentos  |  Política de Privacidade

bottom of page